A vida empurrou seus sonhos abaixo,
Deu demérito a todos que lhe tentou.
Deixou-se ser escrava
Mas escravizou-me em só olhar.
Perdi meu passado,
Mas corre em sangue o quanto não ligo.
Procuro em becos de ruas frias
O calor que não há mais em minha cela.
Em quem tanto se agarra quando apaga as luzes se
Somente em minhas lamúrias disse encontrar respostas?
Eu tive uma visão pelos teus olhos castanhos, amor.
Por mais longe que eu pareça estar, sei me achar.
Eu digo: tudo é blasfêmia.
Pois digo que há, amor, outros braços para me segurar
Quando volúpias escapam pelas minhas coxas já nuas e
Escorrem no colo daqueles que acham que amo.
Mas amo só quem me fez ver.
Aconchegue-se em meus lábios então;
Fiz de você minha
casa de amar.


